Mulheres à frente

“Ensinamos as meninas a se encolherem para se tornarem ainda mais pequenas. Dizemos: ‘você pode ter ambição, mas não muita’ (…) Criamos meninas para serem concorrentes entre si, não para empregos ou para conquistas”. 

O trecho acima é um fragmento da palestra da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, em seu TED Talk de 2013. O texto ganhou ainda mais destaque depois de ter uma parte incorporada à música Flawless, da cantora estadunidense Beyoncé.

O discurso de Chimamanda toca o cerne da questão da desigualdade salarial entre gêneros no mundo. Hoje no Brasil, mulheres trabalham em média três horas por semana a mais do que os homens e, ainda assim, ganham aproximadamente dois terços do rendimento deles – os dados são do Estudo de Estatísticas de Gênero, do IBGE. Não à toa, em um ranking de 149 países feito pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa o 132º quando o assunto é equidade salarial. Quando falamos em mulheres ocupando cargos de diretoria executiva e CEO, o percentual chega a 16% no Brasil

O cenário descrito por Chimamanda se desdobra e ultrapassa os limites da infância e adolescência. O fato é que, quando deixamos de ensinar a meninas sobre poder, ambição e autoridade – características comuns, e até mesmo exaltadas, quando o assunto é crescimento profissional – naturalizamos um comportamento que se repete em muitas esferas: mulheres taxadas como “bravas”, “exaltadas” ou “destemperadas” sempre que demonstram disciplina, firmeza e determinação em suas atitudes. O contrário acontece com os homens, que ao demonstrarem atitudes de autoridade, são vistos como chefes respeitáveis. 

Mas por que, em pleno século XXI, essa diferença é ainda tão brutal?

Uma pesquisa feita pelo professor e economista Henrik Jacobsen Kleven, da Universidade de Princeton, aponta a maternidade como um dos principais agravantes para a desigualdade de renda entre gêneros. 

Kleven usou dados da Dinamarca, seu país de origem, e comparou salários de homens e mulheres antes e depois de terem filhos. Um dos pontos mais chocantes da pesquisa é como a renda feminina cai drasticamente logo após o parto, em comparação com o período em que os homens se tornam pais. 

Fonte: “Children and Gender Inequality: Evidence from Denmark”.

Segundo o estudo de Kleven, ter filhos representa uma mudança de 80% no ganho salarial entre homens e mulheres no país Europeu. Os dados foram publicados no relatório “Children and Gender Inequality: Evidence from Denmark”, publicado em 2018. 

Não é de hoje…

A luta por salários compatíveis entre homens e mulheres não é recente. Nos anos 70, a tenista americana Billie Jean King iniciou uma luta para exigir igualdade de pagamento nas premiações de torneios masculinos e femininos e ajudou a fundar a Women’s Tennis Association (WTA), organização da qual se tornou a primeira presidente. Na mesma época, Billie foi desafiada pelo tenista Bobby Rings para um duelo amistoso que entrou para a História como A Batalha dos Sexos. Billie Jean venceu seu oponente por 3 sets a 0.

Billie Jean King foi desafiada pelo tenista Bobby Rings para um duelo amistoso que entrou para a História como A Batalha dos Sexos.

Ilustração: Brunna Mancuso

Ainda sob os holofotes do mundo, a atleta descobriu duas verdades sobre si. A primeira, é que era lésbica; a segunda, que era homofóbica. Por causa da criação conservadora que recebeu dos pais, Billie levou décadas para se sentir confortável na própria pele. Foi somente aos 51 anos de idade, depois de especulações da mídia sobre sua sexualidade, que ela enfrentou o medo de contar sua verdade, assumiu sua sexualidade e passou a aceitar quem era. Hoje, a ex-atleta se tornou uma ativista dos direitos LGBTQIA+. E insiste que todos devemos buscar amor-próprio para, a partir disso, sermos vozes à frente do nosso tempo, capazes de defender e abraçar minorias que buscam aceitação em um mundo ainda preconceituoso.

A boa notícia é que o cenário está mudando, ainda que lentamente. Apesar das discrepâncias salariais, o percentual de empresas com no mínimo uma mulher em cargos de liderança saltou de 61% em 2018 para 93% em 2019, segundo a pesquisa da International Business Report (IBR) – Women in Business 2019*, que engloba mais de 4,5 mil empresários mundialmente. 

*Isso levando em conta empresas com pelo menos uma mulher em posição de chefia. 

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